Domingo, 16 de Maio de 2010

Ruy Belo: "Poema"



Poema
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ei-lo que avança
De costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo,
Além de sob o braço o jornal,
A sedução de ser, seja quem for,
Aquele que não sou.
E vai não sei onde
Visitar não sei quem
Sinto saudades de alguém
Lido ou sonhado por mim
Em sítios onde nunca estive.


Em quanto á análise formal, o poema é constituído por uma estrofe de doze versos. A rima não é específica, bem como a forma do poema não é usual e conhecida. Assim o poema consiste numa irregularidade formal e métrica.

De nos centrar na análise temática vemos que o tema tratado no poema é a curiosidade do sujeito poético, a admiração e um pouco de saudade. A curiosidade do sujeito poético por alguém que não conhece, mas admira, e também saudades de alguém que lhe é próximo mas que se encontra longe e o qual ele idealiza.

Neste poema o sujeito poético demonstra uma enorme curiosidade em conhecer e de saber mais acerca de um desconhecido, não deixando de ser ele mesmo. No texto o sujeito poético caracteriza o desconhecido, apenas com o pouco que sabe acerca do mesmo, demonstrando assim alguma "ignorância". Por fim, o sujeito refere-se à saudade, mas essa saudade é sentida por alguém criada pela imaginação da mencionada voz poética.

Colocam-se no texto sentimentos expressos pelo sujeito poético. Este sente uma grande admiração pelo desconhecido, assim demonstra um desejo de ser como ele, não deixando de ser ele mesmo ("Ah, poder ser tu sendo eu!"). A voz poética demonstra uma certa ignorância relativamente ao desconhecido, contrapondo-se assim à sua admiração pelo mesmo ("Não sei quem é.../ E vai non sei onde/ visitar não sei quem").

Biografía de Ruy Belo




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