Talvez seja um simples jeito de direccionar uma frecha ao passado, mas logo dos exemplos da obra de Cesariny propostos pela Cristina, ao seguir alimentando a curiosidade, achei constantes ligações com um autor.É certo que já na presentação daquele, fôramos advertidos pelo Carlos da sua influência e constituição em "mestre" para as gerações posteriores. Evidentemente, se estamos a falar do espaço da cidade e da substantivização, estamos a falar de Cesário Verde.
Um Álvaro de Campos cheio de vida chamou-o de "mestre". Mário Cesariny decidiu também homenageá-lo nos seus poemas. Como aguardávamos, trabalha o momento desde a perturbação das imagens e desde o "discurso da reabilitação do real quotidiano" para chegar ás afirmações exaltadas dos últimos versos:
homenagem a cesário verde
Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas
Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!
A crítica, ainda situando-o sempre sob a etiqueta que se demonstrou quase inamovível nos titulares da sua morte: "máximo expoente do surrealismo português", diz de ele que "por médio de Álvaro de Campos e sem o parecer logo, vem encontrar-se com Cesário Verde" (António Ramos Rosa). Ao mesmo tempo, Gastão Cruz encontra parentescos entre "o homem das pensões e das hospedarias" e as figuras de padeiros, da engomadeira ou da regateira de Cesário.
Tudo isto, evidentemente, conflui para várias linhas de reflexão:
a) a pessoal escolha repertorial de Mário Cesariny, não tão ligado a certo onirismo surrealista e constante no "real", como Cesário;
b) como interpretarmos a recuperação constante de Cesário Verde e (re)canonização pelas principais figuras da contemporaneidade portuguesa?
...ainda bem que chegam ecos dos mares por onde a gente navega!
ResponderEliminar-e bem que fica a Alba lá no mastro, atenta à proa e à popa.
ResponderEliminarGostei muito Alba, coma sempre.
ResponderEliminarEu consegui subir ao scribd o ppt da Judith de Teixeira, agora sim com as fotografias.
São (vocês) os mais velozes do oeste, a sério! :)
ResponderEliminarNão foi nada... apenas dois apontamentos desses que surgem ao mergulhar algo nas poéticas dos nomes que vamos citando.
Saudinha!