
Sendo quase um feito que entra na órbita das casualidades, gostaria de compartilhar um poema encontrado que, a jeito de pincelada, da idéia do aproveitamento intertextual e a compreensão de Alberto Caeiro como o heterónimo "diferencial" de Fernando Pessoa noutros horizontes.
É assim que, num contexto muitas vezes dificilmente penetrável como é o da poesia contemporânea em euskera, cai na conta que Joseba Sarrionandia tinha traduzido a Pessoa, e além disso, tinha incorporado na sua própria criação o relato de uma visita do não-metafísico a ele mesmo (através de Pessoa). Consegue, pois, um jogo metaliterario que desejei não obviar, já que considero tal condensação de imagens verdadeiramente representativa deste heterónimo.
Desde o meu ponto de vista, não deveria estranhar-nos que um autor como Joseba tenha realizado um achegamento à figura do "professor de todos", se consideramos certas notas de conexão, por parte do primeiro: uma busca poética desde uma (inicial ou) presumível clareza, a busca da (ré)definição de um dicionário próprio, ou o gosto pelos aforismos e relatos-imagem, em algumas ocasiões.
Além da ossamenta limpa da singeleza, ficam os desejos fechando o poema, expectantes e serenos como uma "cadeira à porta de uma casa".
(Peço desculpas adiantadas pela tradução -alheia- apresentada, que é realmente a mistura de duas soluções encontradas em castelhano)
ALBERTO CAEIRO-REN BISITA
«I know not what I tomorrow will bring»
erran zuen Fernando Pessoa-k hil baino egun bat
lehenago.
« —Egun enauzu neu etorri
Alberto Caeiro baino» erraiten zautan
Femando Pessoak, eta mintzaira nahasiz
eta lokarrigabez irauten zuen solasa.
Eguzkiloreek bezala behatzen zituen
hormetan zelai urregorriztatuak
edota muino izarez estaliak
ene begi lausotuek pinturaren bat,
izpilua edo horma soila ikusten zuten lekuetan.
Natura ederra eta zaharra déla erraiten zuen,
artzainak ardiei begira bezala.
Eta gaua abaildu orduko
euria, eguzkia, ilargia eta etxe ataría aulkia
desiratu eta aldegiten zuen lasai
sonbreiruaren hegala altzatuz.
VISITA DE ALBERTO CAIERO
"I know not what tomorrow will bring"
dijo Fernando Pessoa
un día antes de morir.
—Hoy no he venido yo
sino Alberto Caeiro" decía
Fernando Pessoa, y continuaba
la conversación con lenguaje desatado
y confuso para mi. Miraba,
como miran los girasoles,
y veía en la pared llanuras doradas
o colinas cubiertas por sábanas
donde mis ojos cansados veían alguna pintura, el espejo
o no más que la pared.
Como un pastor contempla las ovejas,
decía que la naturaleza es hermosa
y antigua. Y, antes de caer la noche,
levantando el ala del sombrero,
se alejaba tranquilo
deseando lluvia, sol, luna
y una silla a la puerta de casa.
Noutra orde de coisas, se alguém desejasse observar um antagonista "estilístico" de Caeiro já citado por este "em vida" (por mais paradoxal que resulte a expressão), considero fundamental botar uma vista de olhos ao trabalho de Ana Sofia Couto. Não desvendo a identidade da "referência ao revés". Aqui fica: http://ojs.gc.cuny.edu/index.php/lljournal/article/view/397/377
(A imagem é uma pintura do Ne Barros: http://www.interarteonline.com/N_Barros.htm)
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